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Correa está perdendo o controle no Equador

Rafael Correa consegue ser divertido até mesmo quando está arruinando a economia do Equador Mas seus compatriotas pararam de dar risada A queda da popularidade de Correa deixa claro que seus conterrâneos se cansaram de ser o motivo das suas piadas  

Miami Herald - GLENN GARVIN 06/04/2016

Sob a administração do presidente Rafael Correa, a economia do Equador está em frangalhos. AP

Sob a administração do presidente Rafael Correa, a economia do Equador está em frangalhos. AP

O presidente do Equador, Rafeal Correa, pode estar arruinando a economia do seu país, sufocando seus meios de comunicação e desafiando suas forças armadas a depô-lo em um golpe. Mas, certamente, ele não perdeu seu senso de humor - como muita gente gostaria que tivesse. No ano passado, quando um político panamenho escreveu no Twitter que Correa era um fascista, o presidente imediatamente twittou de volta a sua ideia na forma de uma piada: “Heil Hitler”.

É difícil imaginar outro chefe de estado enviando essas palavras para 2,6 milhões de seguidores. (bom, quem sabe Mussolini, embora essa história não tenha acabado bem). Mas, dessa forma, Correa pode não permanecer como chefe de estado por muito mais tempo.

Os eleitores em toda a América do Sul, cansados após uma década ou mais de calamidade econômica nas mãos de regimes populistas de esquerda, começaram a derruba-los como filas de dominós nos últimos meses.

No exemplo mais impressionante, a oposição venezuelana superou todos os tipos de tramoias oficiais para colocar a Assembleia Nacional sob o controle de um partido de centro-direita que pode derrubar o populista homofóbico Nicolás Maduro (palavra escolhida por ele para classificar seus inimigos: “bi --a”).

Na Bolívia, os eleitores rejeitaram a tentativa do presidente esquerdista Evo Morales, atormentado por escândalos, para mudar as regras eleitorais a fim de que pudesse lhe permitir um quarto mandato, o qual lhe teria mantido no poder até 2025. Na Argentina, os eleitores rejeitaram a escolha do sucessor da anticapitalista Cristina Fernández de Kirchner e elegeram um governo de centro-direita.

E, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff - tudo o que você realmente precisa saber sobre sua política e sua delicada aderência à sanidade é que ela utilizou um apoio do teórico louco da conspiração Oliver Stone em sua campanha publicitária - está oscilando à beira do impeachment devido a um escândalo na petrolífera estatal que inclui uma garrafa de vinho de $3.000, relógios da marca Rolex e prostitutas, não necessariamente nessa ordem.

Correa pode ser o próximo. Sua capacidade de brincar de Papai Noel com os cargos do governo e outros patrocínios (entre 2007 e 2015, a administração de Correa gastou tanto dinheiro quanto o governo equatoriano o fez nos 30 anos anteriores) foi prejudicada pela queda dos preços do petróleo, que financiam 40 por cento dos gastos do país.

Sem toda a distribuição de brindes, o terceiro mandato presidencial de Correa ficou difícil. O Banco Mundial prevê que a economia do Equador vai encolher 2 por cento este ano, e que a popularidade de Correa está caindo cada vez mais rápido. A empresa de pesquisa Market (CQ) afirma que o índice de aprovação de Correa caiu para 31 por cento, e que apenas 28 por cento dos entrevistados acreditam no que o presidente diz.

Essa lacuna de 3 por cento aparentemente representa os equatorianos que detestam as políticas de Correa, mas que acham que ele agrega um sólido valor de entretenimento. Junto com o seu tweet “primavera-para-Hitler”, há também o desafio de uma briga que ele convocou na televisão no ano passado com um congressista que questionou o valor de um projeto do governo.

“Nós podemos resolver isso como costumávamos fazer no meu antigo bairro, se este demente mentiroso, este porco tem um problema comigo”, declarou Correa na televisão. Andrés Páez, o congressista, respondeu que ele ficaria feliz em brigar com Correa se “ele prometesse não trazer seus 300 guarda-costas”. E, Paez acrescentou, “eu espero que você não se limite a me arranhar com suas unhas ou me bater com a sua bolsa” (claramente, Donald Trump é um conhecedor da política do Equador).

Como o Washington Post resumiu, “o presidente Rafael Correa do Equador é um machão de discernimento irrepreensível e de masculinidade superlativa, e, sem dúvida, um punk, ou algo assim”.

A luta nunca aconteceu, mas um grande número de equatorianos aceitou o convite de Correa para resolver as coisas nas ruas: manifestações em massa contra o presidente se tornaram eventos regulares no ano passado, e outro protesto está agendado para o fim desta semana.

O que mais preocupa é a possibilidade de que o exército deixe os seus quartéis. Correa foi mexer com os militares e, em alguns casos, atrasou o pagamento das suas pensões. Quando os generais reclamaram há algumas semanas, ele disparou contra todo o alto comando.

Alguns dias mais tarde, quando Correa discursou em um evento de uma academia militar de Quito, todos os oficiais reformados deixaram o local em um protesto silencioso; os soldados que permaneceram propositalmente não aplaudiram o presidente. Correa, devido à sua crescente impopularidade, já disse que não vai concorrer à reeleição quando seu mandato terminar em 2017.

A questão é se ele vai mesmo aguentar até lá.
 

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