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E-mails secretos revelam campanha de alto nível do Equador para conquistar corações e mentes nos Estados Unidos 

AMI Newswire - J. Michael Waller 09/02/2016

Rafael Correa, o presidente esquerdista do Equador, tem um dom para a publicidade, como demonstrou novamente na semana passada ao justificar ter dado abrigo ao fugitivo Julian Assange, fundador do Wikileaks.

Mas, é outro caso de alto nível que demonstra quão longe Correa pode ir para manipular a opinião internacional.

O Instituto Americano de Mídia revisou centenas de e-mails do presidente Correa e de seus colaboradores mais próximos que mostram a liderança da pequena república sul-americana em 2013 e em 2014 para orquestrar uma campanha publicitária de US$6,4 milhões contra a Chevron Corp., que foi voltada principalmente aos Estados Unidos.

O regime contratou empresas de Relações Públicas, lobistas e celebridades, e trabalhou de perto com a revista Rolling Stone para executar a campanha “A Mão Suja da Chevron”, na qual acusa a gigante do petróleo de crimes ambientais.

A campanha contou com astros e estrelas do mundo do espetáculo como Danny Glover e Mia Farrow, além de recrutar Cher e Bianca Jagger.

No caso do Wikileaks, na semana passada, Correa aproveitou a decisão de um painel das Nações Unidas que declarou que Assange foi “arbitrariamente detido” na embaixada do Equador em Londres, por culpa da Suécia e da Grã-Bretanha. Correa sugeriu que tanto o seu país, como Assange, merecem ser indenizados e prometeu continuar protegendo o divulgador de segredos governamentais, que buscou refúgio na embaixada em 2012, em meio a um processo de extradição por acusações de estupro movidas na Suécia.

Mas, como todos os governos, o regime de Correa possui seus próprios segredos. E a organização da campanha contra a Chevron, que os e-mails de Correa mostram pela primeira vez, rivaliza com a intriga do caso Assange.

A coleção de centenas de e-mails relacionados a um caso legal de alto nível mostra Correa, que governa o Equador desde 2007, arquitetando com seus assistentes mais próximos para manipular a opinião pública internacional quando a ação judicial contra a Chevron começou a se desfazer.

O regime tomou como base um item da linha orçamentária dedicado à “Publicidade e Propaganda para Meios de Comunicação” para contratar uma empresa de mídia, criada em Brooklyn por uma amiga de infância do presidente, com a finalidade de contratar celebridades para divulgar a linha de propaganda do regime em uma ação judicial envolvendo a Chevron.

Os e-mails entram em detalhes divertidos sobre os esforços para conseguir um grupo de partidários do mundo artístico, incluindo Jared Leto, Michelle Rodriguez, Benjamin Bratt, Daryl Hannah, Roger Waters, cofundador do Pink Floyd, e Sharon Stone.

Eles também conseguiram mostrar como a sofisticação das mensagens políticas direcionadas aos norte-americanos se tornou disponível, até mesmo para um regime pequeno, pobre e notoriamente corrupto. O PIB per capita do Equador é de apenas US$6.300 por ano, de acordo com o Banco Mundial, e a Freedom House classifica sua imprensa como “nada livre”. Mesmo assim, Correa foi capaz de contratar a MCSquared, uma empresa de Relações Públicas com sede no Brooklyn, fundada pela amiga de longa data Maria del Carmen Garay, e lhe pagar US$534.000 por mês em depósitos feitos em uma conta do Citibank na Park Avenue, em Nova York.

A MCSquared, por sua vez, subcontratou agências de recrutamento de celebridades de alto nível, incluindo a Greater Talent Network, de Nova York, e o internacional American Program Bureau, com sede nas proximidades de Boston.

Documentos registrados junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que a MCSquared pagou à Greater Talent Network US$188.000, e US$333.000 ao American Program Bureau no final de 2013 e no início de 2014 para encontrar celebridades como parte de uma grande campanha publicitária.

A propaganda era para apoiar um processo de décadas contra a Chevron que foi movido pelo advogado Stephen R. Donziger, de Nova York, o qual colapsou em meio a revelações de corrupção nos tribunais equatorianos.

Depois da eleição de Correa em 2007, o governo do Equador começou a demonstrar um forte interesse pelo processo. Mas, enquanto um tribunal federal dos Estados Unidos em Manhattan iniciava a análise da sentença que Donziger ganhou contra a Chevron em um tribunal provincial equatoriano, Correa esperava trazer grandes nomes para os campos de petróleo remotos de Lago Agrio para dramatizar o suposto dano ambiental da Chevron à região amazônica do Equador.

O resultado da campanha terminou sendo uma decepção para Correa, de acordo com os e-mails.

Embora o presidente se sentisse energizado por um artigo escrito pela ativista Bianca Jagger em outubro de 2013 no Huffington Post, ele continuou pressionando seus assessores para que trouxessem astros mais brilhantes do que a senhora de 70 anos e ex-esposa do vocalista do Rolling Stones, Mick Jagger.

“Nós devemos trazer a Bianca para a campanha ‘A Mão Suja’”, escreveu Correa à sua então embaixadora para os Estados Unidos Nathalie Cely Suárez, mas continuou frustrado porque grandes celebridades não estavam viajando ao país para se unir aos seus esforços.

“Nós estamos perdendo muita energia e estamos perdendo força”, reclamou. “Sequer uma única pessoa famosa veio até aqui”.

“Claro, presidente”, Cely respondeu. “Eu estou viajando para Quito na próxima semana a fim de apresentar o nosso plano e obter aprovação e recursos. A ajuda com a Cher veio através do escritório Patton (Boggs), nossos ex-advogados que defendem as comunidades”.

Cely delicadamente alertou o presidente que as celebridades custariam dinheiro.

“Sobre Bianca Jagger, se estamos trabalhando com a nossa agência de Relações Públicas, o orçamento é muito baixo (US$30.000 por mês) para cuidar de todos os temas da Embaixada”, escreveu Cely.

“Nós deveríamos ter uma agência de nível mais alto para entrar em contato com as personalidades”, respondeu Correa. “A ideia era trazer um famoso por semana, e não apareceu nenhum até agora”.

A batalha judicial mostrou-se ainda mais decepcionante para a facção anti-Chevron de Correa. Em maio de 2014, o juiz distrital dos Estados Unidos Lewis A. Kaplan decidiu que uma sentença multibilionária contra a Chevron no Equador não poderia ser executada porque tinha sido obtida através de fraude e de extorsão por parte de Donziger. O famoso escritório de advocacia e lobby Patton Boggs sofreu graves danos devido ao seu envolvimento com o caso de Donziger e, em 2014, foi adquirido pela firma Squire Sanders.

Os documentos também mostram como o círculo interno de Correa procurou conter a controvérsia sobre a estadia de Julian Assange na sua embaixada em Londres - e estavam ansiosos para tirar vantagem de divisões políticas em Washington.

Membros da Câmara de Representantes dos Estados Unidos “discordam sobre o Irã, Assange, etc.”, escreveu Cely em um e-mail que incluiu Correa e altos funcionários no final de 2013. Ela passou a descrever uma reunião com o deputado Matt Salmon, um notável crítico dos governos socialistas na América Latina. Cely, que desde então se tornou ministra de Produção da empobrecida nação, tranquilizou a confiança do presidente que “apenas o Tea Party” apoiava os pontos de vista de Salmon, acrescentando que o próprio republicano do estado do Arizona havia manifestado “interesse em visitar o Equador e melhorar as relações”.

Em outra sequência de e-mails, um grupo incluindo Cely, o presidente, os chefes de vários ministérios e um ativista que atuava como “secretário-geral de transparência” do Equador debatia pontos de discussão relacionados com Assange para a visita do presidente ao Centro David Rockefeller para Estudos Latino-americanos da Universidade de Harvard, em 2014. Esteja preparado para discutir “migração, percepções antiamericanas e os casos de Assange e Snowden”, aconselhava o documento ao presidente.

Correa teve uma melhor sorte com o caso Assange. Na semana passada, um relatório das Nações Unidas criticou os governos do Reino Unido e da Suécia, que emitiram um mandado de prisão contra o fundador do Wikileaks em 2010, em uma acusação de agressão sexual. A Grã-Bretanha trabalhava na extradição de Assange para a Suécia em maio de 2012, quando ele se refugiou na embaixada do Equador em Londres.

O relatório da ONU pediu para que os dois governos compensassem Assange e acabassem com sua “privação de liberdade”.

O presidente equatoriano foi rápido para capitalizar sobre esse relatório, alegando que seu governo foi vítima de “tentativas de espionagem e de um montão de outras coisas”, enquanto abrigava o fugitivo australiano.

“Isso mostra que estávamos corretos depois de tantos anos”, disse Correa em uma entrevista coletiva em Quito na quinta-feira. “Mas, quem é que é que vai compensar os danos que foram causados ao Julian Assange e ao Equador? Vocês sabem quanto custa manter a segurança na embaixada?”
 

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